A chegada do quinto campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em São José do Rio Preto (SJRP) marca o papel estratégico das universidades públicas na expansão e interiorização do ensino superior, reafirmando uma característica histórica da UFSCar: o compromisso com uma formação articulada às demandas dos territórios onde atua, integrando ensino, pesquisa, extensão e inovação.
De acordo com o Diretor do Campus, prof. Danilo Giroldo, a expansão representa o fortalecimento da missão de universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada. “A vinda da UFSCar para Rio Preto consolida esse protagonismo da Universidade no interior de São Paulo e com essa característica que a UFSCar possui de ser uma instituição que está preocupada e comprometida com o território que está inserida. Isso orientou todo trabalho de criação desse campus desde o início, no sentido de fazer escutas ativas, identificar a vocação, a formaque podemos ser relevantes no território”, contextualizou. A incorporação das/os 30 docentes, realizada por meio de processo de redistribuição, remoção e concurso público, foi etapa decisiva para a implantação do campus.
A chegada de professoras e professores detodo o Brasil fortalece a diversidade e o caráter coletivo da construção institucional. “Estamos seguindo a tradição e um processo acertado da UFSCar de uma gestão horizontal, dialógica, coletiva. Dessa forma, o conselho pró-tempore entende que o momento é de dar voz e escutar a todas/os. As/os docentes chegaram do Brasil inteiro, então, temos que aproveitar essas vivências, pois essas pessoas irão trazer coisas boas dos lugares onde trabalharam, diversidades, suas experiências. Esperamos ter essa cultura de discussão coletiva, de participação, de não violência e enfrentamento às violências inclusive, e do caráter socialmente referencial de universidade pública”, reforça o prof. Danilo.
CAHT nasce junto com o campus
Em sua fase inicial, o campusde São José do Rio Preto conta com o Centro de Artes, Humanidades e Tecnologia (CAHT), concentrando cursos em diferentes áreas do conhecimento. Para iniciar suas atividades, foram ofertadas via Sistema
de Seleção Unificada (SiSU) do Governo Federal 90 vagas em três cursos de graduação: Bacharelado Interdisciplinar em Artes (BIA), Bacharelado Interdisciplinar em Ciências e
Humanidades (BICH) e Bacharelado Interdisciplinar em Ciências, Tecnologia e Inovação (BICTI). As aulas acontecem no campus do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) do município,
no período noturno.
A profa. Lisandra Marques Gava Borges, Diretora do CAHT, explica que o projeto nasce com vocação interdisciplinar e socialmente comprometida. “A definição dos cursos foi resultado de um processo intenso
de escuta e planejamento institucional, fundamentado não apenas nos estudos sobre as características e demandas da região, mas alinhados também
à missão da UFSCar e as transformações contemporâneas. Fizemos isso ouvindo o Conselho Universitário, a comunidade interna e externa para que não tivéssemos um campus centrado em uma única área do conhecimento”, destaca.
Na sua avaliação, o projeto baseado na interdisciplinaridade e na integração prática do ensino, pesquisa, extensão e inovação deve estar em diálogo permanente com a sociedade e o território. “Eu vejo que
mais do que instalar um novo campus, a UFSCar também chega com essa proposta de construir parcerias e contribuir para o desenvolvimento regional, além da formação de profissionais comprometidos com
a inovação, sustentabilidade, justiça social e, por fim, com a transformação da realidade”, complementou.
Mobilização local foi decisiva para a chegada da UFSCar
A viabilização do novo campus contou também com o engajamento da cidade. O vereador João Paulo Rillo (PT), que teve papel decisivo no processo liderando as articulações políticas e o diálogo com o Governo Federal, destaca que a
UFSCar transformou a relação da cidade com o que é público. “A UFSCar, por sua própria natureza, pela composição do corpo discente, já tem uma contribuição efetiva para esse pensamento regional. Isso é fundamental para saídas para o meio ambiente, para os problemas de saúde, educação, para a mobilidade intermunicipal”, afirma.
Segundo Rillo, foi a primeira vez que Rio Preto percebeu que aquilo que é público pode ser, de fato, de todo mundo. “A Universidade, antes mesmo de ser uma realidade, de estar acontecendo, o processo de construção foi fantástico, movimentou muito a cidade. A UFSCar nos ensinou muito sobre como o Estado pode de fato atrair as pessoas para a participação, como ele pode ser generoso, como as instituições públicas podem chegar até as pessoas.
Penso que os coletivos da cidade mostraram que falta isso e que eles existem”, comemorou o vereador.