AGENDA SINDICAL | Diretora da ADUFSCar avalia participação em encontro do GTPCEGDS

AGENDA SINDICAL | Diretora da ADUFSCar avalia participação em encontro do GTPCEGDS

Entre os dias 28 e 30 de agosto, a profa. Maria Cristina Bezerra, 2ª tesoureira da ADUFSCar, participou da reunião do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do ANDES-SN. A atividade ocorreu no Cefet-RJ, Unidade Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro/RJ.

De acordo com a docente, a reunião estruturou-se ao longo dos três dias, combinando momentos de informes, debates temáticos centrais, atos públicos de mobilização e deliberações organizativas. “Foram momentos de ricas exposições analisando o avanço do fascismo global, ataques e desmonte de direitos e as estratégias utilizadas para o consentimento social nas quais se inclui a naturalização da violência física e simbólica incentivadas pelo estado neoliberal”, explica.

Entre os temas debatidos no primeiro dia, a construção da masculinidade neoliberal trouxe elementos importantes para o debate com a categoria. Partindo de uma análise do geral para o particular, foram citados os aspectos econômicos, sociais, políticos e teóricos, relacionando a construção do machismo e da misoginia a um processo histórico de dominação que remonta à colonização. Segundo a análise apresentada às/aos participantes, esse processo está fundamentado na relação de superioridade estabelecida entre colonizador e colonizado, marcada pela oposição entre “nós” e “o outro”. Na atualidade, essa lógica se expressa na estrutura do imperialismo e também atravessa a construção das relações de gênero e das masculinidades.

Para a Diretora da ADUFSCar, o machismo, a misoginia, vem transformando muitas mulheres em vítimas. “Só vamos conseguir barrar o feminicídio do machismo e da misoginia com formação, investimento na educação, mas principalmente disputando corações e mentes para um projeto de educação que combata todos os tipos de violência e opressões”, destaca.

A programação também pautou a violência do estado contra populações negras, materializadas em práticas de encarceramento, extermínio, violência jurídica, presente inclusive no interior das instituições educacionais. As falas das/os presentes reforçaram que a violência está na base da sociedade capitalista e a classe trabalhadora está sendo cooptada para defender a violência do estado contra elas mesmas.

 

Ato por memória, justiça e reparação

A violência também está presente no interior das instituições de ensino superior. O tema foi abordado na mesa “Avanço do fascismo e os ataques à vida e aos direitos das mulheres, meninas e menines”, que teve entre os relatos o feminicídio ocorrido no interior do Cefet-RJ. Docentes da instituição denunciaram o tratamento dado pela administração ao caso e apontaram o esvaziamento de iniciativas de memória e denúncia, que, segundo elas, contribui para o apagamento da violência, da existência e da memória das trabalhadoras.

“O silêncio institucional é uma posição deliberada e consciente de não enfrentamento da violência de gênero, do feminicídio bem como desconsidera o caráter educativo da instituição na formação dos estudantes. O agravante é a perseguição aos docentes que lutam para que as colegas de trabalho sejam lembradas diariamente, que seja criado um espaço de memória dedicado a elas, não como um símbolo da violência de gênero, mas, para que isso não se repita”, avalia a profa. Maria Cristina.

Para demarcar que é necessário que as trabalhadoras não sejam esquecidas e que as instituições não se tornem novamente palco de feminicídio, o GTPCEGDS realizou no Cefet, o Ato Público por memória, justiça e reparação: não ao feminicídio e as violências institucionais!

 

Desafios do movimento sindical docente

É imprescindível e urgente a inserção do movimento sindical docente nos debates e lutas que vão além de questões ligadas ao trabalho, como o avanço do fascismo (estamos há pouco tempo das eleições presidenciais de 2026 no Brasil e vemos esse avanço em outras localidades no mundo), a violência contra mulheres (demonstrada nos altos números de feminicídio, por exemplo), casos de racismo institucional, na sociedade e outras formas de opressão.

Na avalição da profa. Maria Cristina, o movimento sindical, principalmente o ANDES, tem um papel relevante na organização popular junto com outros movimentos sociais que atuam na contra hegemonia capitalista e no enfrentamento das investidas neoliberais quer por via pública estatal ou privada. “Individualmente, debatendo apenas com a categoria que representa, o Sindicato perde força de mobilização coletiva, tão necessária nos dias atuais quando estamos disputando a formação da consciência dos trabalhadores diante do avanço da extrema direita ultraliberal fascista, que ataca direitos sociais historicamente conquistados pelas lutas da classe trabalhadora” destaca. Ainda segundo a docente, “o atual momento exige tomada de posição a favor de um projeto democrático, soberano e popular que enfrente os racismos, o machismo, a misoginia, o feminicídio que nos mata todos os dias, as violências de gênero, as homofobias em defesa da vida e de nossas existências livres das opressões que querem nos destruir física e emocionalmente, controlar nossos corpos e nossas mentes”, afirma.

 

Encaminhamentos da reunião do GTPCEGDS

Entre os principais encaminhamentos da reunião do GTPCEGDS estão a intensificação da promoção de espaços formativos por meio de atividades de caráter educativo que aborde questões relacionadas aos temas em discussão no seminário como também a xenofobia; criar espaços formativos a partir do “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência na universidade; protocolo de acolhimento jurídico para docentes vítimas de violência garantindo orientação técnica e jurídica para as seções sindicais apoiarem no processo de denúncia e à Rede de Enfrentamento a Violência contra as Mulheres (Ministério Público, Defensorias, DEAMs e Juizados Especiais (vai para o Congresso); construir o ato nacional de combate feminicídio e incluir na agenda a luta pelos direitos das meninas e mulheres no dia 25 de novembro de 2026.

Entre as perspectivas para o fortalecimento dessas pautas no âmbito local, a profa. Maria Cristina considera a ampliação dos espaços de formação como prioridade, com o objetivo de aprofundar discussões com públicos específicos e público em geral sobre fascismo, gênero, reprodução sexual, heteronormatividade, masculinidade tóxica, direito reprodutivo, protocolos de combate às diversas violências, entre outros.

A diretora da ADUFSCar, aponta que espaços como o GTPCEGDS são importantes para transformar debates em ações concretas nas universidades e nas entidades sindicais. “Os encontros possibilitam ampliar os conhecimentos sobre questões relacionadas à diversidade que compõe a sociedade e, consequentemente, a própria categoria docente, além de promover o compartilhamento de experiências entre diferentes instituições de ensino superior. A troca de experiências permite conhecer como outras IES enfrentam situações que envolvem prevenção de violências, descumprimento de legislações trabalhistas, da lei de cotas nos concursos públicos etc e, pensar coletivamente em propostas concretas para superação das dificuldades enfrentadas”, destaca.

 

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