NOTA DE SOLIDARIEDADE DA DIRETORIA DO ANDES-SN À GREVE DAS(OS) DOCENTES E ESTUDANTES DA USP
A Diretoria do ANDES-SN manifesta seu firme apoio à greve docente e estudantil da Universidade de São Paulo (USP) e saúda a mobilização construída por estudantes, docentes e servidoras(es) técnico-administrativas(os) em defesa do reajuste salarial, do avanço na proposta estudantil de ampliação do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), da reorganização do calendário acadêmico sem ameaças de reprovações e jubilamentos, bem como da não criminalização e punição das(os) estudantes e da apuração das responsabilidades pela violenta ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo durante a desocupação da Reitoria, em 10 de maio de 2026.
A greve na USP expressa o acúmulo de insatisfações diante da desvalorização e do arrocho salarial da carreira docente, do aprofundamento das desigualdades nas políticas de permanência estudantil entre as três universidades estaduais paulistas e da postura, cada vez mais, autoritária e intransigente da Reitoria da USP, especialmente frente às reivindicações do movimento estudantil, em greve há mais de 40 dias. Enquanto a USP administra um dos maiores orçamentos do ensino superior brasileiro, avançam iniciativas neoliberais que substituem a recomposição salarial por gratificações efêmeras para docentes e servidoras(es) técnico-administrativas(os), aprofundando a precarização das carreiras e fragmentando direitos historicamente conquistados.
Ao mesmo tempo, a insuficiência das políticas de permanência estudantil torna- se evidente diante da ausência de medidas concretas para atender às reivindicações das(os) estudantes em relação ao PAPFE. Mesmo após a flexibilização do Plano de Sustentabilidade Econômico-Financeira da USP para viabilizar a concessão da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE), inicialmente destinada às(aos) docentes, e diante da vitoriosa greve das(os) servidoras(es), a Reitoria mantém uma política que impõe limites rígidos aos gastos com pessoal e subordina o orçamento universitário a uma lógica fiscalista e gerencial. Neste contexto, as(os) estudantes seguem sem respostas efetivas que garantam condições dignas de permanência, o que revela prioridades institucionais incompatíveis com o caráter público, democrático e social da universidade.
A luta em curso denuncia um projeto de universidade excludente, pautado pela lógica empresarial e distante das necessidades da comunidade acadêmica e universitária da USP. A defesa da permanência estudantil, da recomposição salarial e de condições dignas de ensino, pesquisa e extensão integra uma luta mais ampla contra a mercantilização da educação pública e contra políticas que transformam direitos em privilégios restritos a poucas(os).
A Diretoria do ANDES-SN repudia, ainda, qualquer tentativa de criminalização e punição de estudantes mobilizadas(os), bem como o uso da repressão policial como instrumento de enfrentamento político, como ocorreu na madrugada do Dia das Mães, durante a ação da Polícia Militar na Reitoria da USP. A presença da PM nos campi e a violência dirigida contra estudantes revelam o aprofundamento de práticas autoritárias incompatíveis com a autonomia universitária, as liberdades democráticas e o direito à organização e à luta.
A experiência histórica demonstra que nenhuma conquista democrática nas universidades resultou da conciliação passiva com reitorias ou governos, mas da organização coletiva e da luta política de estudantes, docentes e servidoras(es) técnico- administrativas(os). Neste sentido, a greve da USP fortalece o conjunto das lutas nas universidades estaduais paulistas em defesa da educação pública e soma-se à resistência contra os ataques aos serviços públicos, aos direitos trabalhistas e às liberdades democráticas.
A Diretoria do ANDES-SN reafirma sua solidariedade à greve docente e estudantil da USP e convoca suas seções sindicais, movimentos estudantis e entidades da educação a fortalecerem as mobilizações em defesa de uma universidade pública, gratuita, democrática, laica e socialmente referenciada.
Lutar não é crime!
Pela reabertura do diálogo entre estudantes e reitoria!
Sem punição e criminalização do movimento estudantil da USP!
Negociação já!