No início do mês passado, um estudante da UFSCar do campus Sorocaba, foi vítima de um ataque homofóbico no terminal rodoviário da cidade. Após ofensas relacionadas à sua orientação sexual, ele foi agredido fisicamente, além de ameaçado de morte caso procurasse a polícia. O agressor fugiu e a vítima registrou boletim de ocorrência por lesão corporal e ameaça.
Segundo veículos de comunicação local, funcionários do terminal relataram que outras duas agressões com características semelhantes ocorreram no local no dia anterior, indicando a possível recorrência desse tipo de violência.
Embora o fato tenha gerado indignação, ele não é um caso isolado. O Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas da comunidade LGBT+ em 2025. Isso significa que, a cada 34 horas, uma pessoa desse grupo foi assassinada no país. Os dados fazem parte do relatório anual do Grupo Gay da Bahia (GGB). Realizado há mais de 45 anos de forma independente e voluntária, o levantamento se baseia em notícias da mídia, redes sociais, blogs e relatos enviados ao grupo baiano.
Para Letícia Silva Souto, docente do Departamento de Biologia – UFSCar Sorocaba, a naturalização desse tipo de violência é construída diariamente, em pequenos atos. “A naturalização ocorre ao ver uma piada ofensiva e entender como apenas uma brincadeira, ao estabelecer que existem brinquedos/cores de meninos e de meninas, quando se coloca o sexo biológico acima das construções sociais, como se ele fosse o único definidor de como uma pessoa deve ser e se portar. E a partir daí, tudo que sai desse padrão não é “normal” e deve ser combatido/punido”, afirmou.
De acordo com o relatório do GGB, os dados de violência não refletem a totalidade dos casos, mas evidenciam a omissão e a subnotificação dos órgãos oficiais, que ainda não registram de forma sistemática crimes motivados por LGBTfobia. Fato é que a cada caso de violência, o sentimento de insegurança e medo se fazem presentes, afetando inclusive, a vida dos estudantes. “Realizamos uma roda de conversa com alunos e percebemos muita raiva, revolta e medo. Os impactos são imensuráveis e a longo prazo. Só vamos saber de fato quais são com o decorrer do tempo. Mas o sentimento de insegurança ficou ainda mais presente e infelizmente isso pode ser refletido na vida acadêmica desses estudantes. Por isso pedimos que todos que se sentirem inseguros, com medo, nos procurem para que possamos acolher e encaminhar para o atendimento no DeACE”, reforça a docente Letícia Silva Souto.
Ações da ADUFSCar
Reafirmando seu compromisso com a promoção da diversidade, em novembro de 2025, a ADUFSCar participou da posse do Conselho Municipal da Diversidade Sexual de São Carlos, um marco para o fortalecimento das políticas públicas e da representatividade LGBTQIA+ na cidade, com a presença da comunidade UFSCar em sua composição.
Em março, a entidade apoiou a divulgação do informativo “Universidades sem LGBTFobia: estratégias de prevenção”, elaborado pelo estudante Enayton Perassoli, a partir da sua tese de mestrado “As contribuições das relações dialógicas para a prevenção da LGBTfobia no ensino superior”. O material traz informações com proposições e exemplos de ações para prevenção e combate a LGBTFobia, a fim de garantir mais segurança para comunidade acadêmica. Estratégias como maior representatividade, responsabilização e sanção para ações homofóbicas, apoio a iniciativas estudantis, incentivo a espaços de convivência e engajamento das categorias e suas entidades representativas como agentes de diversidade são colocadas como diretrizes.
No mês de abril, a ADUFSCar atendeu à solicitação de apoio do Grupo de Trabalho Transformar da UFSCar, que em parceria com a Coordenadoria de Gênero e Diversidade da SAADE, realizará a 4ª Feira da Visibilidade Trans e Travesti na UFSCar, em 24 de abril. A iniciativa tem como intuito discutir ações que serão desenvolvidas juntamente com as pessoas transgênero, transexuais e travestis da comunidade acadêmica e organizar diferentes ações educativas, de conscientização e iniciativas que dão visibilidade e protagonismo para as pessoas trans dentro da Universidade. O apoio à comunidade LGBTQIA+ é uma das bandeiras de luta da ADUFSCar, contribuindo para o combate à violência, defesa dos direitos e dignidade dessa população.