COMITÊ DE APOSENTADAS/OS | Carta às Aposentadas e Aposentados da ADUFSCar

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Caminhamos para o segundo turno das eleições.

Os resultados do primeiro turno, no que já temos definido para o parlamento, nos apontam um cenário de disputa política intensa, com diferentes interesses e partidos políticos. Nele contaremos com parlamentares progressistas combativos, muitas/os delas/es, novas lideranças. Para a presidência do Brasil estão no embate duas agendas antagônicas, em várias áreas, econômica, previdenciária, trabalhista, social, climática, de relações internacionais…  Entre os votos válidos o eleitorado está claramente dividido, mas temos uma parcela muito significativa que está se abstendo de votar.

Nessa disputa política e de agendas, encontramos projetos nitidamente opostos em relação à educação pública, e portanto, às universidades públicas e à valorização (ou não) da servidora e do servidor público. Esse cenário nos traz apreensões em relação aos nossos direitos trabalhistas como servidoras/es públicos federais, e aposentadas/os, direitos estes estabelecidos na Constituição. Aliás, a própria Constituição pode estar sob risco imenso.

O que podemos esperar para o segundo turno? Alianças políticas, apoios, ações do atual governo, mudanças nas campanhas que prometem ser bastante polarizadas.  Em relação ao eleitorado que potencialmente será o fiel da balança no resultado do segundo turno, teremos eleitoras/es das/dos candidatas/os que não passaram para o segundo turno, eleitoras/es que se abstiveram, além daquelas/es que votaram nulo ou em branco, que agora, nesta disputa “binária” e com a influência das campanhas, talvez possam se decidir.

Temos muito caminho pela frente, mesmo que em um curto espaço de tempo. A mobilização social cada vez mais pungente – estudantes universitários nas ruas, engajamentos nas redes sociais em perfis progressistas como não visto antes – são sinais de que o resultado numérico do primeiro turno não é destino dado para o segundo turno. Juntemo-nos nós, aposentadas e aposentados, a essa mobilização, nas conversas, nos apoios, na escuta cuidadosa que aprendemos com nossa experiência, no diálogo possível em nossos grupos, nas interações mais próximas que fazemos em nosso cotidiano, nas ações promovidas pelo nosso Sindicato.

Há algo em especial para o que podemos atentar e nos mobilizar:  a/o eleitora/or 60+. Um levantamento realizado pela Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados a partir do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e publicado na Agência Brasil, mostra que, “…enquanto o número de eleitoras/es de todas as faixas etárias cresceu 15% entre 2010 e 2026, o eleitorado 60+ aumentou 74% no período, o que revela expansão de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em março de 2026”.  Este aumento não implica necessariamente votos. A abstenção nas eleições de 2022 da população entre 60 e 69 anos foi de 14,3%, cerca de 2 milhões de pessoas. Da população 70+, a abstenção foi de 8 milhões de pessoas.  Nosso voto pode ser decisivo numa disputa acirrada como a que teremos.  Eleitoras/es 60+ que se abstiveram são pessoas de nossa faixa etária, com quem temos identificações, compreendemos o dia a dia de sua vida, as alegrias e as questões que afligem. Entender e conversar sobre as razões da abstenção, apoiar, orientar, pode colaborar para alterar esse quadro e aumentarmos nossa presença nas urnas e na decisão do futuro do nosso país.

O resultado do primeiro turno nos impactou. Para nos animar a levantar e continuar a nossa luta, deixamos com vocês a palavra deste senhor nascido em 1935, que com sua vida nos ensinou que “derrotados são aquelas que deixam de lutar”.

Desejamos um excelente final de semana.
Com um abraço,

Comitê de aposentadas e aposentados da ADUFSCar.

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