ARTIGO | Jornal ADUFSCar traz artigo “O autoritarismo de Tarcísio contra os professores”

ARTIGO | Jornal ADUFSCar traz artigo “O autoritarismo de Tarcísio contra os professores”

A mais recente investida do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, contra o magistério no estado de São Paulo é reveladora de um projeto de poder que se alimenta da desvalorização, da intimidação e da perseguição ideológica.

Ao afirmar que professores afastados para tratamento médico ou por motivos de saúde deveriam ter suas faltas contabilizadas, com possibilidade de redução de jornada, extinção de contrato ou outras punições, o governador flerta abertamente com o autoritarismo e rebaixa a educação paulista a um campo de experimentação de medidas arbitrárias.

A Justiça já interveio, concedendo liminar que barrou a medida por violação ao Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado. O texto legal é claro: faltas justificadas não configuram inassiduidade e o estatuto protege afastamentos para consultas e tratamentos médicos. Mas, como em tantas outras vezes, o bolsonarismo não se orienta pela lei nem pelo diálogo, e sim pela lógica da coerção e da intimidação.

Professorado como inimigo

Não se trata apenas de uma questão administrativa. É um sintoma de algo maior: a transformação do professorado em inimigo político. Em vez de reconhecer o esforço de uma categoria sobrecarregada por baixos salários, falta de infraestrutura e condições precárias de trabalho, o governador paulista opta por intensificar o cerco, minando direitos básicos e deslegitimando a função social do ensino.

Essa postura não é isolada. Desde o início da gestão, a educação pública em São Paulo vem sendo tratada como alvo preferencial de um projeto de desmonte: desvalorização salarial, ataques aos sindicatos, perseguição política a professores e estudantes, criminalização de movimentos sociais e agora a tentaƟva de transformar a doença em punição. Trata-se de um pacote completo de precarização e silenciamento.

As consequências, no entanto, não se limitam ao presente. Ao desvalorizar professores e desmontar a escola pública, São Paulo compromete o próprio futuro. Um estado que fragiliza a formação de seus jovens, que mina a base da produção de conhecimento e que reduz o investimento em ciência e educação, estará, em médio e longo prazo, condenado a ficar para trás.

São Paulo pagará um preço alto

Sem professores valorizados e uma rede pública forte, São Paulo corre o risco de perder competitividade, de ver sua juventude privada de oportunidades e de cair para o fim da fila no avanço do conhecimento e da qualificação profissional. O preço será cobrado não apenas pela comunidade escolar, mas por toda a sociedade paulista.

É preciso dizer com todas as letras: um governador que ameaça punir professores por adoecer não demonstra compromisso com a educação, com a democracia ou com o futuro do país. Demonstra, sim, apego a práticas autoritárias que
buscam domesticar pela força aqueles que têm como missão ensinar, formar e transformar.

Tarcísio de Freitas pode até tentar impor sua lógica de controle, mas a história mostra que o magistério paulista sempre resistiu e continuará resistindo. Professores não são peças descartáveis. São trabalhadores essenciais, intelectuais públicos e guardiões de direitos.

Considerações ſinais

Minha palavra final é de solidariedade e respeito à categoria. Porque, quando um governo transforma a saúde em falta e a doença em punição, não é apenas o professor que é atacado, é a própria democracia que adoece.

Aldenor Ferreira
Docente no Programa de Pós-Graduação em Conservação e Sustentabilidade – UFSCar Lagoa do Sino

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