O 69º CONAD do ANDES- -SN, realizado no campus da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em São Luís, mostrou que o movimento docente compreende a urgência de combinar a defesa da universidade pública com a mobilização política mais ampla em defesa da democracia e da soberania nacional, tendo em conta o momento em que vivemos, com a extrema direita disputando com obstinação os rumos da sociedade brasileira e preparando sua ofensiva para as eleições de 2026. Sob o tema “Guarnicê a luta pela educação pública na terra da Balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita”, mais de 300 docentes de todo o país debateram os desafios da conjuntura nacional
e internacional e aprovaram importantes encaminhamentos para a atuação do Sindicato Nacional e a mobilização da categoria docente.
O debate mais acalorado neste 69º CONAD se deu na discussão sobre a conjuntura política nacional e as eleições de 2026. Tanto nos grupos mistos quanto na plenária, foram expostas diferentes leituras sobre a melhor estratégia a ser indicada à categoria docente para frear os avanços da extrema direita no nosso país. A apresentação de um Texto de Apoio, pela diretoria do Sindicato Nacional, que indicava o apoio à candidatura do presidente Lula desde o 1º turno das eleições, e a redação mais ampla do Texto de Resolução proposto evidenciaram a complexidade desse debate e a preocupação coletiva em construir uma posição capaz de fortalecer a unidade da categoria nesta que é uma das tarefas mais importantes para este próximo período.
Continuamos vivendo ataques constantes às instituições democráticas, às universidades públicas, à ciência e aos direitos sociais, portanto, um grave equívoco político ignorar a capacidade de organização e o fortalecimento da extrema direita. Aqui na UFSCar, um grupo liderado por um pré-candidato da extrema direita da região a deputado estadual, invadiu o campus de São Carlos em 8 de junho. Dias antes, os mesmos indivíduos estiveram nos campi de Araraquara da UNESP e de Ribeirão Preto da USP. Esses ataques promovidos por grupos extremistas contra as universidades públicas não podem ser compreendidos como episódios isolados ou meras manifestações de “provocação”. As invasões de campipor militantes vestidos com coletes à prova de balas, frequentemente acompanhados por câmeras e celulares, seguem uma estratégia de intimidação da comunidade universitária e de produção de conteúdo para circulação nas redes sociais.Seu objetivo não é estabelecer diálogo ou participar do debate público, mas provocar confrontos, constranger estudantes, docentes e servidoras(es), deslegitimar a universidade como espaço de produção do conhecimento e alimentar narrativasde perseguição que mobilizam sua base de apoiadores. Trata-se de uma tática inspirada em repertórios contemporâneos da extrema direita, mas que reproduzem uma matriz
de violência simbólica e de encenação do conflito há muito utilizada como instrumento de propaganda política desse campo, na busca por enfraquecer instituições democráticas e desacreditar a ciência, a intelectualidade, a educação pública e o pensamento crítico.
Mesmo que tenhamos derrotado o bolsonarismo nas urnas em 2022 e contemos agora com um governo federal progressista, temos sofrido com a configuração de um Congresso Nacional hegemonizado por forças conservadoras e liberais, que tem sido um verdadeiro “inimigo do povo” em diversas pautas. Ademais, trazem elementos importantes para o debate eleitoral deste ano a possibilidade de interferências do governo de Donald Trump e as recentes vitórias eleitorais da extrema direita na América Latina.
Nesse contexto é que foi aprovada a orientação para que as seções sindicais do ANDES- -SN e toda a categoria docente atuem, desde o primeiro turno das eleições de 2026, pela derrota eleitoral da extrema direita, articulando a ação sindical à mobilização social e à defesa dos interesses da classe trabalhadora. Mais do que uma resolução, trata-se do reconhecimento de que a participação política da categoria docente não pode se limitar ao espaço interno da universidade nem se encerra no voto: ela se constrói cotidianamente, no diálogo permanente com a sociedade, na defesa da universidade pública e na presença ativa das entidades sindicais nas lutas por democracia, soberania e direitos sociais.
Atualização do plano de lutas
Todos os Grupos de Trabalho (GT) do ANDES SN apresentarem suas propostas de resolução para a atualização do Plano de Lutas a ser implementado pelo Sindicato Nacional. Foram marcantes as discussões, cada vez mais presentes tanto na base da categoria quanto nos GT, sobre questões de carreira e condições de trabalho que envolvem necessidades específicas de docentes cuidadoras e cuidadores, famílias atípicas, pessoas com deficiência, mães e pais de pessoas com deficiência, assim como também aquelas implicadas no contexto de multicampia e fronteira.
O fortalecimento dos debates no âmbito das seções sindicais e dos GT do ANDES SN para a produção de sínteses será fundamental para que se possam construir propostas concretas que deverão integrar o rol de reivindicações da categoria.
Entre as deliberações mais significativas na atualização dos planos de luta do ANDES SN está a decisão de solicitar o ingresso do Sindicato Nacional no Fórum Nacional de Educação (FNE), ampliando sua atuação na defesa da educação pública, gratuita e socialmente referenciada e no enfrentamento às iniciativas de privatização do ensino.
A principal crítica que apareceu entre os argumentos contrários à participação do ANDES SN no FNE diz respeito a uma avaliação do caráter privatista do Fórum, que conta com a presença de entidades empresariais e fundações ligadas ao grande capital (como a Confenen e grupos de advocacy corporativo), que pretendem transformar o direito à educação em mercadoria. Apesar da verdade contida nessa avaliação, prevaleceu a acertada posição de que não se pode deixar de ocupar e disputar, por dentro da institucionalidade, essa importante instância de formulação de políticas educacionais.