ADUFSCar DEBATE | Conjuntura e papel dos sindicatos foram temas da primeira mesa do ciclo formativo

ADUFSCar DEBATE | Conjuntura e papel dos sindicatos foram temas da primeira mesa do ciclo formativo

O primeiro “ADUFSCar debate” realizado no dia 26 de março, foi um espaço de reflexão e discussão, no qual as/os docentes tiveram a oportunidade de dialogar sobre temas da conjuntura internacional, nacional e sindical. A atividade contou com a participação do prof. Joelson Carvalho, do Departamento de Ciências Sociais e de Erick Silva, cientista social e atual presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM/CUT).

A atividade é parte do ciclo formativo de debates da ADUFSCar, que será realizado durante o ano, em todas as sedes da entidade. Esse primeiro encontro ocorreu no Auditório da entidade, no campus São Carlos.

Ao iniciar a mediação da mesa de debates,  a presidenta da ADUFSCar, profa. Fernanda Castelano Rodrigues, destacou a relevância do evento. “Estamos inaugurando hoje um ciclo de debates no qual pretendemos que seja perene, objetivando que a gente se reúna uma vez ao mês para discutir temas como política, sindicato, trabalho e voltar a ter um espaço de reflexão e discussão que impactam a vida  das/os trabalhadoras/es. A finalidade é expandir nossas ideias não ficando apenas na categoria docente, mas sim promover de maneira democrática essa cultura do diálogo  com outras entidades e categorias”, afirmou.

Ataques à democracia e aos direitos

Erick Silva iniciou sua fala, ressaltando que a data da atividade era de teor comemorativo. “Não podemos deixar de marcar realmente este dia 26 de março. Colocar na cadeira dos réus um conjunto de generais de quatro estrelas e ver essas pessoas sendo julgadas pela primeira vez no Brasil pela Justiça comum será com certeza uma experiência transformadora para o país”, disse ele, referindo-se à decisão do julgamento em que Jair Bolsonaro (PL) tornou-se réu sob acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022, além de seus ex-ministros e militares, que atuaram para deslegitimar o processo eleitoral e minar a democracia brasileira.

No âmbito da conjuntura econômica, o presidente da FEM/CUT ressaltou a necessidade de considerar a China e sua economia conectada à Rússia, sendo também uma detentora dos meios, evidenciando assim, além de outros fatores, o processo de queda do império norte americano.
Ao refletir sobre os motivos pelos quais o capitalismo está em crise, o prof. Joelson Carvalho destacou que “o empobrecimento das massas não preocupa o capitalismo”. Segundo ele, a resposta para a melhoria das condições objetivas de vida para a classe trabalhadora consiste na mobilização e não está na órbita do capital, uma vez que tal questão não se baseia na acumulação de bens. O docente relembrou ainda da Reforma Trabalhista do governo Temer em 2017, e o avanço da terceirização como fatores cruciais para “trabalhar mais ganhando o mesmo e com menos direitos”, fazendo uma analogia à “mais valia absoluta e relativa”, conceitos da teoria marxista que definem como o capitalista extrai lucro do trabalhador.  Dentre os exemplos, destacou o fim das horas in itinere e o par time.

O papel histórico e atual dos sindicatos

Segundo Erick Silva, muito se discute qual o papel dos sindicatos no cenário atual, bem como, qual é o potencial revolucionário do movimento sindical brasileiro e as pautas que podem de fato levar a uma transformação radical da sociedade. Em sua experiência na categoria metalúrgica, ele comentou a perda de crença das pessoas na democracia e a manutenção do conservadorismo, demonstrando que as pautas sociais como preconceito e conflitos globais têm caráter de relevância para apenas cerca de 30% neste segmento, o que confirma que o apoio da base está associado aos interesses trabalhistas e não mais relacionados a um projeto de sociedade e país como outrora.

Para fomentar o debate, o presidente da Federação dos Metalúrgicos apresentou um estudo elaborado em parceria com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que detalha a evolução do número de trabalhadores da indústria entre 1985 e 2023, e traz um comparativo entre o número de cestas básicas que o salário mínimo pode comprar e o número de greves realizadas no Brasil no período de 1983 a 2023. A pesquisa confirmou que quanto maior era o índice inflacionário, mais fácil era mobilizar as categorias de trabalhadores por meio de movimentos grevistas. De acordo com Erick, a partir da perda da pauta da inflação, os movimentos grevistas perderam a relevância para o trabalhador.

O prof. Joelson Carvalho ressaltou que o cenário atual traz um quadro político de instabilidade, sendo insuficiente a pauta de luta apenas contra o fascismo e a favor da democracia para avançar nas condições objetivas da classe trabalhadora. Para ele, o ambiente sindical deve discutir política e mobilizar as massas para o enfrentamento de uma base conservadora. “Nossa categoria precisa compreender que a decisão através do coletivo é a única forma de garantir solução efetiva que melhore as condições de vida da classe trabalhadora e isso só se faz a partir do instrumento de luta e mobilização”, finalizou.

A matéria completa estará disponível na próxima edição do Jornal ADUFSCar

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