CARTA ÀS APOSENTADAS E APOSENTADOS da ADUFSCar
O que está em jogo nas eleições de 2026?
As eleições de 2026 estão batendo à porta e, com elas, uma decisão importante sobre que tipo de país a gente quer. Para quem vive o dia a dia das universidades públicas, dos sindicatos e depende dos serviços do Estado, o momento é de alerta total. O que está na mesa não é só um nome nas urnas, mas o futuro da ciência, da educação, das nossas aposentadorias e da proteção às pessoas idosas e vulneráveis diante do avanço da extrema direita.
Para entender o tamanho do desafio, vale a pena olhar para trás. Entre 2018 e 2022, o Ministério da Ciência e Tecnologia teve cortes e bloqueios de 44%. O Ensino Superior Público e a educação brasileira viveram anos sufocantes. No Ministério da Educação os cortes e bloqueios somaram 20%, mais de 100 bilhões foram retirados do orçamento. Dados do centro de pesquisas SouCiência mostram que as Instituições Federais perderam cerca de 14% do orçamento nesse período. O resultado foi um apagão de recursos para pagar contas básicas, cortes severos de bolsas e uma afronta direta à autonomia das instituições, com a nomeação de reitores que nem tinham sido os mais votados pela comunidade. Quem defendia aquele governo dizia que o teto de gastos era necessário e que o foco deveria ser o ensino técnico, mas, na prática, a universidade pública foi empurrada para uma crise profunda.
A partir de 2023, o cenário mudou e o atual governo trouxe um respiro importante, voltando a reajustar bolsas congeladas e ensaiando uma recomposição do orçamento. Mesmo assim, a batalha ainda é dura. A aprovação da Lei Orçamentária de 2026 no Congresso mostrou que os recursos para a educação e para agências como Capes e CNPq continuam na corda bamba, muitas vezes disputados por emendas parlamentares.
Essa mesma disputa acontece quando olhamos para a seguridade social. Enquanto grupos de direita defendem mais reformas e o incentivo à previdência privada — o que deixa a conta fechar apenas no papel —, os movimentos sociais alertam para o perigo de desproteger as pessoas idosas. Quem envelhece conhece de perto o preço dos remédios, o valor da aposentadoria, o peso que o cuidado continua tendo dentro da família. Precisamos de ampliação e, não, de retração dos programas públicos voltados à nós, idosas e idosos, como o Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso (PADI), os Centros Dia e Centros de Referência e de Convivência de Idosos, entre outros. O Estatuto da Pessoa Idosa, instituído em 2003, foi um ganho da mobilização da sociedade civil dentro de um governo que reconhece a importância da garantia legal de direitos; para ser fortalecido precisa de governos que o respeitem. Por isso, a eleição de agora vai muito além de partidos: é a escolha entre fortalecer os direitos ou ver a rede de proteção social encolher ainda mais. O futuro do SUS, da seguridade social como um todo e o direito a uma aposentadoria digna dependem diretamente desse embate.
Nós, eleitoras e eleitores 60+, representamos 23% do eleitorado, quase 1 a cada 4 eleitoras/es. No Sudeste essa porcentagem é ainda maior. O nosso voto sozinho não define o resultado, mas pode ser decisivo. A abstenção nas eleições de 2002 da população entre 60 e 69 anos foi de 14,3%, cerca de 2 milhões de pessoas. Da população 70+, a abstenção foi de 8 milhões de pessoas. Esse foi o cenário numa eleição (de 2022) na qual o resultado final foi decidido por 2 milhões de votos. Nosso comparecimento às urnas leva nossa experiência. Tudo que você aprendeu sobre o Brasil numa vida inteira de trabalho e na docência numa Universidade Pública você leva às urnas juntamente com seus sonhos. Os anos futuros que deseja para você e para as futuras gerações estarão lá registrados.
São Carlos, 29 de setembro de 2026.
Comitê de Aposentadas e Aposentados da ADUFSCar