CINE DEBATE | ADUFSCar promove exibição e debate de documentário

CINE DEBATE | ADUFSCar promove exibição e debate de documentário

O Comitê de Aposentadas/os da ADUFSCar, em parceria com o Comitê Multicampi de Lutas da UFSCar (ADUFSCar, SINTUFSCar, DCE Livre e APG) promoveu no dia 21 de agosto, a exibição do documentário “Carta de Linhares: a tortura revelada”. A atividade contou ainda com um debate com a presença de Marcelo Araújo Passos, jornalista e diretor do documentário, Jorge Raimundo Nahas, um dos autores da Carta de Linhares e Maria Inês Pedrosa Nahas, ativista dos direitos humanos.

O coordenador do Comitê de Aposentadas/os, prof. Francisco Alves (Chiquinho), iniciou o evento destacando a importância da parceria entre as entidades representativas da UFSCar para a realização da atividade e, sobretudo, reconhecendo o compromisso do diretor e das/os participantes do documentário em preservar e compartilhar essas memórias. Chiquinho também ressaltou o papel das entidades sindicais em promover iniciativas que valorizem a trajetória de trabalhadoras/es, preservem a memória das lutas sociais e contribuam para que as violações cometidas durante a Ditadura Civil-Militar não sejam esquecidas. 

Para o vice-presidente da ADUFSCar, professor Joelson Gonçalves de Carvalho, o documentário reafirma a importância da vigilância constante em defesa da democracia frente às constantes ameaças da extrema direita. “Toda hora é hora de dizer ‘ditadura nunca mais’, de denunciar essa violência e de obviamente, demonstrar que a ditadura que terminou ainda nos assusta na forma de nomes, sobrenomes e projetos políticos”, afirmou. 

Produzido a partir de relatos de pessoas mantidas sob custódia do regime militar no Presídio de Linhares, o documentário resgata a trajetória de militantes políticos presos e torturados durante a Ditadura Civil-Militar e narra a elaboração da Carta de Linhares. 

Com 41 minutos de duração, o documentário destaca a dimensão humana nos depoimentos, trazendo à tona as práticas de tortura e as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro. “Esse trabalho veio da inquietude do jornalismo. Nós adotamos um critério jornalístico de utilizar as versões. Então, cada um apresentou a sua visão e elas podem se complementar em meio à narrativa”, relembrou Marcelo Araújo Passos, diretor do documentário. 

Ao comentar os desafios enfrentados na elaboração do filme, o diretor ressaltou a preocupação em evitar abordagens simplificadoras ou que reduzissem os depoentes à condição de vítimas. “Um aspecto de grande desafio desse trabalho era não dar a ideia, de certa forma um pouco clichê, de transmitir através do sofrimento da tortura a emoção, fazendo as pessoas sentirem pena dos depoentes. Esse foi um grande dilema. A ideia é escapar dessa obviedade e deixar dentro da perspectiva da humanidade. Então, aqui nós temos sim o sofrimento pela situação, obviamente, mas temos também a esperança, a força e o fato dos autores não se arrependerem. Isso é fundamental”, pontuou o diretor.

Um dos autores da Carta e convidado do cine debate, Jorge Raimundo Nahas, destacou que o filme cumpre o papel de relembrar o momento, a luta e a resistência diante da vivência em um regime ditatorial. “De 2023 para cá, houve um aumento do interesse pela nossa luta, pelo que nós passamos. Houve um renascimento, talvez, pela ameaça, e as pessoas começaram a pensar nesse tema. Muitas pessoas, principalmente os mais jovens não tem ideia do que é o ambiente da ditadura, sobre como é ter o cerceamento de todos os seus direitos pessoais, civis, toda a sua iniciativa, seu vigor, todo o seu pensamento, tudo o que você deseja, afinal a ditadura é isso: ela põe uma tampa em cima da criatividade, da sua rebeldia, do senso de responsabilidade”, relatou ele. 

Para Maria Inês, depoente do filme e ativista dos direitos humanos, a experiência de militância teve início no movimento pela anistia, experiência que marcou sua vida pessoal e profissional. “Eu comecei minha militância no movimento pela anistia, o que pra mim, foi muito importante, pois a partir disso eu nunca mais deixei de militar. Primeiro foi movimento de anistia, depois o movimento sindical e isso interferiu diretamente na minha vida profissional. Por isso, inclusive que estamos aqui.”, explanou ela.

Ações unificadas das entidades representativas da UFSCar

O Cine Debate integra mais uma das ações desenvolvidas pelo Comitê Multicampi de Lutas da UFSCar (ADUFSCar, SINTUFSCar, DCE e APG), que atua na construção de pautas que atravessam as diferentes categorias em defesa da universidade pública, da democracia e da autonomia universitária. 

Representando o SINTUFSCar, Doni Silva enfatizou que a democracia não é uma conquista definitiva, sendo necessária a vigilância e defesa permanente para sua manutenção. “Como muitos aqui, eu faço parte de uma geração que quando chegou na Universidade, a ditadura ainda era vigente. Depois de tantas lutas, dentro e fora desse espaço, nós temos o desprazer de ver a ascensão do extremismo do país, o que deve ser motivo de grande preocupação. Nesta eleição, temos novamente isso: os adeptos da força, da subtração ou derrota da democracia e quando achávamos que a derrubada da ditadura poderia nos dar a paz, vemos que não é exatamente isso, sendo necessário nossa atenção e vigilância sempre”, relembrou. 

Em nome da APG, Gabriel (Gabs) reforçou em sua fala a relevância do diálogo nesses espaços para a compreensão da motivação de mobilizações sociais contra projetos que ameaçam a democracia e os direitos. “Esse espaço é muito importante, pois é muito valioso nos reunirmos numa tarde de sexta-feira para lembrar e entender a criação, o reforço e o esforço para o registro da memória, principalmente para um ano como esse em que temos uma dicotomia dentro do Brasil extremamente acirrada”, afirmou o estudante. 

Pelo DCE Livre da UFSCar, o estudante Vitor destacou a  importância da união das entidades para a construção e unidade nas lutas em comum. “Esse tipo de atividade que reúne as entidades representativas da UFSCar mostra a união que temos, pois muitas das lutas estão em consonância uma vez que estamos numa mesma classe”, destacou. 

 

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